Oração - Louvor

Oração - Louvor

Nesse momento, com o início da oração propriamente dita, o grupo já está em franco desenvolvimento. Não podemos perder de vista que nossas reuniões são basicamente de oração. É o que prevalece. É o que consome o maior tempo em nossos Grupos de Oração. Nossa função é levar o povo a orar, levá-los a estabelecer um diálogo franco, aberto e íntimo com o Senhor; conduzir os presentes a abrir o coração na presença de Deus, para que Ele possa realizar sua obra.

A Bíblia nos mostra que fomos criados para o louvor da glória de Deus. Aliás, a Bíblia está repleta de hinos e gestos de louvor a Deus. Por isso,  o louvor é a oração predominante nos grupos carismáticos. Não tanto como um esforço  humano de renovação, mas muito mais como uma manifestação espontânea do Espírito. Louvar é aplaudir, elogiar, parabenizar a Deus. Vale destacar que se louva a Deus por aquilo que Ele é (misericordioso, benevolente), no louvor a pessoa reconhece que Deus é Deus, e agradece-se a Deus por tudo que Ele faz seja na nossa vida ou na vida da comunidade.

Por isso, o ponto culminante da reunião é a oração de louvor, que é uma oração poderosa, libertadora e que gera alegria e otimismo em nossos corações. Porém, em algumas reuniões, pode acontecer que o Espírito Santo inspire petições, intercessões e ação de graças. Este momento é inteiramente conduzido pelo Espírito Santo através do servo, não há formas de se moldar uma oração e prepará-la em sua totalidade previamente. Deve-se contar com a unção do Espírito para motivar a oração, mas precisa-se de total discernimento do servo que conduz, pois o Espírito Santo já revelou na reunião de núcleo uma moção para o GOU daquele dia, e essa moção precisa ser seguida.

Não é o coordenador ou o membro do núcleo que está conduzindo naquele dia que deverá orar o tempo todo. Devemos conduzir, incentivar o povo a orar individualmente. Devemos “ensinar” nossos colegas a rezar. Isso porque a oração de um toca o coração do outro, pois o Espírito nos coloca em unidade. A oração de uma pessoa incentiva e abre o coração de outra para orar e se entregar a Deus. A função do coordenador ou dos membros do núcleo passa, dentro desse contexto, a ser de comando, não de execução. Quem deve executar a oração é a comunidade, as pessoas que vão às reuniões do grupo de oração. Quanto menos o núcleo falar e quanto mais a comunidade se manifestar em oração, tanto mais ungida será a reunião do Grupo.

O “comando” de quem conduz a oração deve ser claro. Ele é o responsável por introduzir as pessoas na presença de Deus. Deve indicar para onde vamos, que rumo iremos tomar a cada momento e as ordens deve ser compreensíveis, curtas e as moções conectadas. Cada um louve a Deus com uma palavra. Vamos todos, numa só voz, louvar e engrandecer ao Senhor. Louve a pessoa de Jesus pelo que Ele é e fez por você - a pessoa do Espírito Santo – a pessoa do Pai. E outras chamadas que certamente vêm ao coração de quem conduz a oração. A oração pode ser definida, aqui, como um momento de diálogo com Deus. É o veículo que nos leva ao interior do coração do Senhor e o traz para dentro do nosso coração. Há uma interpenetração de corações no momento em que oramos de coração aberto. Há uma doação mútua; nós nos doamos a Deus e Ele se doa a nós. Deve haver, em nossas reuniões, um encontro pessoal e profundo das pessoas que delas participam, com o Senhor que se faz presente, vivo no nosso meio.

Esse momento de oração é composto das mais diversificadas formas de oração. Contudo, a que deve prevalecer é a oração de louvor, de glória, de agradecimento e de ação de graças. Momento em que tiramos os nossos olhos de nós, da nossa pequenez, dos nossos problemas e dificuldades e olhamos para o Senhor. Contemplamos como Ele é. Enxergamos suas qualidades, atributos, características e O elogiamos por tudo o que Ele é. Engrandecemo-Lo pelos vários títulos, adjetivos, termos que nos vêm ao coração, pela ação do Espírito Santo. Essa oração tem o poder de nos conduzir direto à presença de Deus, pois para elogiá-Lo é preciso vê-Lo e, para isso, temos que olhar para Ele. Assim, o coração fica desarmado e a graça do Senhor é operada poderosamente.

Outras formas de oração podem e devem ser usadas, conforme o discernimento do núcleo de serviço.  Oração de Petição - somos carentes. Precisamos muito da graça, misericórdia e ajuda do Senhor em nossa caminhada. O Espírito pode suscitar momentos em que apresentamos ao Senhor as necessidades da comunidade que, com certeza, são muitas. Pode haver, por exemplo, momentos em que se ora pelas pessoas do grupo que possuem enfermidades, sendo que toda a comunidade irá interceder por essas pessoas. Pode ser suscitado que toda a comunidade faça um momento de intercessão pelos jovens, pelos desempregados, pelas famílias, pela Igreja, pela greve dos professores e assim por diante. O Espírito irá soprar conforme quer e transformará o grupo num poderoso momento de intercessão.

Aqui cabe a ressalva quanto à imposição de mãos. Em muitas comunidades há a expressa proibição de se impor as mãos e nós devemos obediência às autoridades eclesiais. Procuremos conhecer a nossa realidade local para agirmos conforme a orientação do pároco, sem criar desgastes desnecessários. Em casos desse tipo recomenda-se segurar a mão de quem está orando, tocar seu braço ou outro gesto feito com discrição e cautela, sem, contudo barrar a ação do Espírito Santo.

É importante termos em mente que esse momento de petição envolve também a oração de Batismo no Espírito Santo. É a hora de se clamar uma nova efusão da graça do Espírito, a realização de um novo Pentecostes. É fundamental que tomemos posse do Batismo que recebemos em nossas Reuniões de Oração. Muitas vezes não acreditamos em nossa oração e no atendimento por parte do Pai. Pedir só não adianta muito, se não tivermos fé. É preciso viver da fé, pela fé e não, pelo sentimento. Muitos ainda acreditam que receberam o Batismo no Espírito Santo porque sentiram arrepios ou um calor, ou porque choraram muito. Nossa caminhada deve ser pautada pela fé e não por sensações apenas. Caso contrário, caímos na superficialidade.

Devemos clamar e pedir que este Espírito encha os corações de todos os presentes naquele grupo, motivando transformações e revele a presença de Deus. Não devemos nos pautar em sensações, mas sim na fé, e por isso devemos sempre agradecer a Deus pelo Espírito Santo enviado. A cada dia, será motivada uma forma diferente de se referir ao Espírito Santo, seja como vento, fogo, água. Estas são apenas motivações para a oração. O clamor ao Espírito que queima nosso coração, ao Espírito que sopra onde quer ou mesmo à chuva de Água Viva. Nosso foco é, independente da forma como Ele quer se revelar naquele dia, motivar que a assembléia a clamar pela vivência de Pentecostes.

Sabemos que não depende do servo a experiência da assembléia. Como servos apenas preparamos o momento da melhor forma para que a pessoa, por ela mesma, possa desejar e então receber a graça de Deus. Este momento o servo que conduz, deve se atentar que sua função é de motivar a assembléia a orar e não orar por ela. Deve-se falar o menos possível, dando os direcionamentos que Deus lhe revela para aquele momento de oração, muito atento também aos carismas do Espírito que se manifestem. Quanto menos os servos falarem e quanto mais a comunidade orar, mais ungido será este grupo de oração. É necessária criatividade e evitar fórmulas repetidas (erga o seu braço e louve ao Senhor...). O Comando de quem conduz deve ser claro e confiante, indicar para onde vamos e que rumo nós iremos tomar a cada momento (cada um louve a Deus com uma palavra, ou louvem todos a uma só voz...). Muitas vezes as pessoas não abrem a boca por não entenderem a condução.

Não podemos sair de uma Reunião de Oração Carismática, onde houve a efusão do Espírito Santo, e agirmos como se não o tivéssemos recebido.  Se vivemos pelo Espírito, andemos também de acordo com o Espírito. É pela fé que acreditamos estar ungidos pelo Espírito de Deus. Entretanto, se aqueles que estão à frente do Grupo de Oração assim não agirem, muito menos o restante da comunidade.

Outra oração cheia da graça do Espírito é a oração em línguas. É um grande instrumento para mantermos nosso contato, nosso relacionamento com o Pai. É comum, em nossas reuniões de oração carismática, que se ore em línguas, contudo não é uma regra ou obrigação. Esta oração é sempre uma graça para a comunidade, pois é o Espírito mesmo que vem, em auxílio à nossa fraqueza, orar em nós e através de nós com gemidos inefáveis, porque não sabemos orar como convém, nem sabemos o que devemos pedir.

No entanto, não caiamos no erro de entender que a reunião só é carismática se houver oração em línguas. O que caracteriza a reunião de oração como sendo carismática é a moção do Espírito, ou seja, se ela foi conduzida, dirigida e preparada sob a moção do Espírito Santo; se as pessoas receberam a graça de Deus, foram tocadas, fazem um compromisso de mudança de vida e são enviadas para ser luz e presença de Deus na realidade em que está inserido.

Outra forma de oração de grande efeito sobre a comunidade é a oração da Igreja. Há momentos em que somos chamados a realizar uma missa, uma celebração da Palavra ou até mesmo fazer a oração do terço refletida, rezado sob a inspiração do Espírito Santo. Só que estes momentos devem ser esporádicos. O que deve prevalecer é a reunião de oração, pois é a nossa identidade enquanto Renovação Carismática Católica.

Aqui também devemos uma orientação ao coordenador do GOU. Nem sempre tudo correrá muito bem, exatamente como planejado. Por isso é importante que o coordenador esteja sempre atento, e clame sempre a Deus pelos dons de sabedoria e discernimento dos Espíritos. Às vezes a oração não flui, e é importante que o coordenador perceba isso e peça a Deus que o mostre o porquê dessa situação. Às vezes a assembléia precisa de cura ou libertação. O coordenador então deve, com sabedoria e prudência, mas também com coragem e fé audaciosa, conduzir esse momento sem atitudes extremas, mas com calma e bom senso. Às vezes aparecem situações inusitadas, atitudes extremadas, críticas e contestações durante a oração ou pregação que da mesma forma devem ser resolvidas com sabedoria pelo coordenador.

 

FONTE: Material de Formação - Ministério Universidades Renovadas